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TCU participa de audiência pública sobre dados abertos
O relator do projeto de lei na comissão, deputado Roberto Alves (SP), iniciou a audiência ressaltando a importância de se tornar pública a discussão sobre a Lei de Dados Abertos. “Pedimos a audiência para ouvir das autoridades técnicas sugestões para aprimorar o relatório, já que se trata de um assunto tão amplo. No País, já temos o marco civil da internet, a Lei de Acesso à Informação e a neutralidade de rede, mas sabemos que a legislação ainda pode expandir quando se trata do uso da rede on-line e digital a serviço da população”, acrescentou.
Foram convidados para discorrer sobre o tema os especialistas Elise Gonçalves, da equipe do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, e o auditor do TCU Rafael Albuquerque, lotado na Secretaria de Fiscalização de Tecnologia da Informação (Sefti).
Elise Gonçalves explicou que dados abertos são informações de livre acesso que estão disponíveis na internet, em geral em formato estruturado, tais como planilhas e bases de dados, sem limitação para uso. Ela lembrou que os principais motivos para a abertura de dados estão relacionados ao aprimoramento dos dados governamentais, transparência ativa na gestão pública, fortalecimento da Lei de Acesso à Informação e estímulo à inovação.
Por sua vez, Rafael Albuquerque, contextualizou o assunto sobre dados abertos como um instrumento da parceria para o governo aberto (Open Government Partnership – OGP), que tem como objetivo estimular práticas de governo aberto nos países-membros, propiciando o aumento da transparência pública, o combate à corrupção e o empoderamento do cidadão. Ele apresentou, também, os principais trabalhos desenvolvidos pelo tribunal sobre o tema: em 2014, o TCU realizou levantamento para identificar o panorama nacional e internacional sobre abertura de dados (Acórdão 2.569/2014-TCU-Plenário); já em 2015, foi lançada, no âmbito do Seminário Brasil 100% Digital, a publicação 5 motivos para abertura de dados na administração pública, com vistas à sensibilização dos gestores públicos para essa prática; nesse mesmo ano, também foi realizada auditoria para avaliar as iniciativas de abertura de dados em três organizações da área da educação (Acórdão 3.022/2015-TCU-Plenário). Finalmente, o auditor chamou atenção para a importância de desenvolver o chamado “ecossistema” dos dados abertos, no qual importantes atores, como ONGs, pesquisadores, jornalistas e o próprio governo, consomem os dados disponibilizados e geram, a partir deles, desde análises sobre políticas públicas até inovadores serviços para a sociedade, ampliando e enriquecendo a relação entre o cidadão e o Estado.
Por fim, foram apresentadas algumas sugestões de aprimoramento do PL nº 7.804/2014, em especial no que se refere a estender os seus efeitos a todos os poderes da República e a tornar obrigatório, para toda a administração pública, a realização de planejamento de ações em prol da abertura de dados, algo que já é executado no âmbito do Poder Executivo federal por meio do instrumento denominado Plano de Dados Abertos.
Ao final da audiência, o presidente da comissão elogiou a apresentação dos especialistas e aceitou sugestão de disponibilizar o referido projeto de Lei para consulta pública no portal da Câmara dos Deputados, a fim de que a própria sociedade possa contribuir com melhorias no texto.